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TOXOPLASMOSE

Não é de hoje que o gato é tratado como o vilão da toxoplasmose, devido à falta de informação ou por informações erradas, divulgadas tanto por profissionais da saúde, quanto pelos meios de informação.

 

Não é de hoje que gatos são abandonados ou sacrificados por suas famílias porque a mulher engravidou e não pode “se arriscar”. toxoplasmose é uma zoonose provocada pelo protozoário Toxoplasma gondii, onde os hospedeiros definitivos são os felídeos. É no organismo dos gatos infectados que ocorre a formação do oocisto, forma infectante, que contamina o meio ambiente, outros gatos e o ser humano.

É uma doença considerada benigna, pois quando uma pessoa sadia entra em contato com o parasita, as próprias defesas do organismo são suficientes para evitar maiores danos. No entanto, dependendo do estado físico (má nutrição, estresse, doenças imunodepressoras, transplantes, gravidez, etc) pode acontecer queda das defesas orgânicas e o indivíduo desenvolver uma das formas da doença.

Como se pode perceber, falar em toxoplasmose não é um assunto dos mais simples. A doença pode ter forma agressiva e o prognóstico pode sim ser muito negativo. Entretanto, há muita mistificação em torno do tema e os principais afetados são sempre os gatos.

Primeiramente, vale antes lembrar, que para o gato ter o risco de transmitir a enfermidade, precisa necessariamente apresentar Toxoplasmose.

É comum ver um obstetra dizer a uma mulher grávida que ela precisa se desfazer de seu gato, sob pena de por em risco a saúde do seu bebê. Falar  isso é um absurdo, no mínimo ignorância e crueldade.

Profissionais que se apóiam em mitos ultrapassados como esse certamente não estão se atualizando na sua profissão. Infelizmente ainda há quem entenda ser mais fácil apoiar-se em crendices tolas do que estudar! Lamentável!

Há muito tempo o gato deixou de ser o grande vilão da toxoplasmose. Sim, o animal pode transmitir a doença. Mas é preciso saber em quais condições e que existem outros meios de transmissão muito mais perigosos.

Vale a pena lembrar que o protozoário em tese vive em uma grande variedade de animais de produção ou de estimação, como aves, bois, ovelhas, porcos, cabras, cães, animais silvestres e a maioria dos animais vertebrados terrestres.

Todos esses animais podem se infectar através da ingestão de outros animais já contaminados pelo toxoplasma gondii, no contato direto com a terra contaminada ou pela ingestão de água contaminada.

 

Com exceção do gato, os outros animais não eliminam o parasita para o ambiente. Isto é, após a contaminação, o parasita passa por um ciclo de vida no organismo do animal, até que este organismo desenvolva imunidade e o parasita, em uma forma latente, se aloje nos músculos do animal, onde podem permanecer por muitos anos.

  No tocante aos gatos, eles se contaminam principalmente pela ingestão de pequenos animais ou insetos como ratos, lagartixas, pássaros ou carne crua de animais que já estejam contaminados.

 

 

O mito sobre esta doença ao redor dos gatos existe porque os felinos são os únicos animais que eliminam os ‘’ovos’’ (oocistos) deste parasita para o ambiente, através da fezes. Porém, para que as fezes se tornem contaminantes, devem permanecer em contato com o ar por um período de 5 dias. Os gatos portadores da toxoplasmose só eliminam fezes contaminadas por uma vez, durante um período de até 2 semanas. Após este período adquirem imunidade e, em geral (a não ser em casos de queda grave da imunidade do felino), não voltam  mais a eliminar os ovos nas fezes, mesmo se forem re-contaminados.

O contágio do ser humano se dá principalmente pela ingestão de leite (principalmente de cabra) “in natura” (ou seja, sem pasteurização); carnes (principalmente carnes de porco, cabrito, carneiro e coelho) cruas ou mal cozidas; água contaminada (de locais onde não há saneamento básico); frutas e verduras mal lavadas ou pelo contato com terra ou areia contaminadas por fezes de animais doentes.

Apesar do mito que se criou em torno deste assunto, é pouco provável que uma pessoa contraia a doença pelo contato direto com um gato contaminado.

Para que ocorra o contágio é necessário que se consuma um alimento que teve contato com as fezes que contenham ‘’ovos’’ contaminantes e que estas fezes tenham ficado expostas ao meio ambiente por 5 dias. Sendo assim, o contato com as fezes frescas não é capaz de causar a infecção.

 Medidas de higiene preventivas são a única maneira disponível para se evitar a toxoplasmose congênita.

Os cistos encontrados na carne tornam-se inativos mediante o cozimento a 66°C (carnes cozidas "ao ponto ou bem passadas"), defumadas, ou congelamento a -20°C por 24h (o que não é obtido na maioria dos congeladores caseiros).

As mãos devem ser bem lavadas após o manuseio de carnes cruas e vegetais; ovos não devem ser consumidos crus, e leite não pasteurizado deve ser evitado (principalmente o de cabra).

Vetores, como moscas e baratas, devem ser controlados.

Áreas contaminadas por fezes (“antigas”) de gatos devem ser evitadas. Luvas descartáveis deverão ser usadas quando do manuseio de dejetos de gatos, trabalho em jardins e ao limpar caixas de areia de crianças. O oocisto é inativado (morto), quando lavado com água fervente por 5 min, dessa forma, se feita a limpeza diária da caixa de areia, será muito difícil que os oocistos tenham tempo para esporulação.

 

 

Geralmente as fezes do gato sadio são firmes. A menos que o gato esteja doente muito pouco ou nenhum resíduo de fezes ficará na região perianal. Outro fato é que normalmente os gatos não estão diarréicos durante o período que excretam os ‘’ovos’’ contaminantes. Por causa do conhecido hábito de limpeza dos felinos, não se encontra resíduos de fezes em sua pelagem.

 

 

Assim, a chance de transmissão da doença por acariciar um gatinho ou tê-lo como seu animal de estimação é mínima ou inexistente.

Desta forma, conclui-se que o meio mais provável de contato do humano com a doença se dá através do contato direto com a terra ou água contaminada, um exemplo: caixas de areias de parques e praças públicas, já que é habito dos felinos enterrarem suas fezes na terra fofa ou areia.

 

Os insetos, como as baratas, também devem ser considerados como uma forma de contágio, visto que estas podem contaminar diretamente os ambientes, e manter a contaminação de ratos e gatos, inclusive os domésticos, devido ao hábito de caçar e ingerir baratas.    

    

  Ou seja, se você tem hábitos de higiene pessoal, alimentar e do ambiente, não estará susceptível a contrair doença. Os gatos são animais incríveis, lindos e sadios. Feio e doente é o preconceito e a ignorância.
 

M.V. Paula Cordovani

Especializada em Medicina de Felinos

CRMV-SP 19971

 

 

 

FONTES:

*Toxoplasmose ( www.misodor.com/TOXOPLASMOSE.php)

*Desmistificando a toxoplasmose

(http://www.horizontejafa.com/2010/12/desmistificando-toxoplasmose.html)

*Material Didático aula toxoplasmose curso de especialização em  Medicina de Felinos, ministrada pela Profª MARIA ALESSANDRA MARTINS DEL BARRIO