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  OBESIDADE EM FELINOS

Ao contrário do que muitos pensam, um gato gordo não é sinal de beleza e de saúde.

A obesidade é a doença nutricional mais frequente em cães, em gatos e em humanos nas sociedades mais desenvolvidas e excede a soma das doenças nutricionais por carências.

 

    

O gato é um animal carnívoro estrito, ou seja, na natureza, ele precisa ingerir altos níveis de proteína, baixos níveis de gordura e mínima quantidade de carboidratos. Comparando com um cão, o gato necessita de uma quantidade muito menor de carboidratos. A maioria das dietas secas possui níveis mais altos de carboidratos, quando comparadas com as rações em latas. Para a obtenção de energia, diferentemente dos humanos, o organismo do gato utiliza em primeiro lugar a proteína, depois a gordura e por último, os carboidratos. Sendo assim, qualquer carboidrato que ingere além de sua necessidade, é transformada em gordura.

Considera-se que um animal é obeso quando o seu peso superar em 15% o peso óptimo, que também é o ponto em que começam a aparecer problemas de saúde, daí derivados.

A obesidade está intimamente relacionada com o equilíbrio entre a aquisição de energia e o seu gasto. Se a ingestão energética for maior do que o seu gasto, isto implicará em aumento de peso; portanto dentre os fatores que contribuem para a obesidade em gatos, destacamos principalmente:

·        Excesso na ingestão de alimentos (geralmente devido ao oferecimento livre ou exagerado)

·        Inatividade (gatos de dentro de casa)

       Sendo que, o principal culpado neste caso é o proprietário. A grande maioria de nós, deixa a ração do gato à vontade para quando ele quiser se servir, o que não está errado. Mas, deve-se ficar atento à quantidade de ração que ele come durante todo o dia, principalmente quando é filhote e tende a comer exageradamente. Além disso, pela nossa rotina, o animal pode se sentir muitas vezes “entediado”, pela falta de atividade,  ninguém para brincar, nada para caçar, enclausurado (moradia em apartamento), e passa a dormir o tempo inteiro e esse modo de vida sedentário está muito longe do comportamento natural dos gatos.

      A obesidade causa várias conseqüências físicas para o gato e reduz a qualidade de vida dele de forma geral , dentre elas:

·        Dispnéia (dificuldade de respirar)

·        Doenças cardiovasculares

·        Hipertensão

·        Diabetes melito

·        Dermatites não alérgicas

·        Problemas músculoesqueléticos

·        Aumentar o risco da anestesia e cirurgia

·        Reduzir o ganho reprodutivo

·        Predispor à lipidose hepática (acúmulo de gordura no fígado)

·        Criar intolerância ao calor

·        Reduzir a resistência às doenças infecciosas

·        Possibilidade dobrada de morrerem na meia –idade (6-12 anos), quando comparados com os gatos não obesos.

Como em  geral a obesidade reduz significativamente a expectativa de vida do gato, ela deve ser tratada como uma enfermidade. Deve-se proceder algumas mudanças no habito do animal, tais como instituir um alimento terapêutico para perda de peso, promover exercício físico e principalmente incentivar e apoiar o proprietário para que o procedimento seja em sucedido.

Devemos atentar para a necessidade da ajuda de um profissional, que auxiliará com as instruções com relação à quantidade de alimentos necessárias por dia, o tipo de alimento, manejo do ambiente e da rotina do animal, além do acompanhamento, e estímulo, sem que isso prejudique a saúde de seu animal.                                              

 

 

M.V. Paula Cordovani

Especializada em Medicina de Felinos

CRMV-SP 19971